
Tem dias que a gente acorda meio vulnerável. Suscetível à sensações que não te visitam muito frequentemente......
e à noite as coisas ficam mais claras. Pode-se perceber, talvez pelo silêncio, coisas dentro da gente que não se percebe quando é dia. E com o silêncio vêm a memória, velha farturenta que, incansável, insiste em sentar na cabeceira da nossa cama, deitar nossa cabeça em seu colo e contar histórias. Ás vezes essas lembranças são tão nítidas que trazem com elas cheiros, imagens, sons, e se fechamos os olhos bem apertados, podemos até sentir na pele coisas que passaram pela gente e talvez nem tenhamos percebido conscientemente...
E nessa última visita ela me lembrou de uma história que eu já havia me esquecido:
Quando eu era criança, eu achava que a alma era algo gasoso, tipo vapor. E quando alguém chorava, era a alma que de gasosa passava pra líquida. Desde então, o choro, pra mim, se tornou um símbolo: alma na cara...E lembro também que sempre que chorava, eu enxugava apressado as lágrimas, achando que estava perdendo uma porção da alma. E era assim também quando alguém chorava perto de mim.
Hoje eu percebo isso de uma forma diferente. E sei.... algumas raras pessoas nascem com uma fatia extra de alma. Então não faz mal que essas pessoas chorem o quanto for.... elas têm alma de sobra pra toda uma vida e mais algumas.
É confortante saber que algumas pessoas ainda carregam essa propriedade. É digna de aplauso em cena aberta a pessoa que ousa pintar na sua própria cara um tanto de alma.

Um comentário:
Adorei!!!
Quero me casar com vc...rs
Beijocas!
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